"Eu menti pra você" engana o público do começo ao fim, como se ouvíssemos uma programação de uma rádio FM durante uma viagem de carro. Mas como? O trabalho da cantora, totalmente autoral e sem preconceitos invade os ouvidos com representações de guerra - "Nassíria e Najaf", despretensão e preguiça reggae com "Plástico Bolha", "O pé" - uma canção orgânica e bem poética, "Vira Pó", que em levada samba explica a origem da vida, "Telekphonen" - uma pertubadora conversa em alemão ao telefone e a notória "Ciranda do Incentivo", praticamente um funk carioca sobre as fragilidades da lei de incentivo à cultura.
Se o artista é ou não um fingidor, preferimos que Karina Buhr continue mentindo com toda essa destreza. Um tiro no escuro que na gravidade de "Mira ira" deixa evidente o cansaço a um amor falido, uma descrença ao romantismo e à monotonia dos relacionamentos.
Ouvindo Karina Buhr nesse trabalho sólo, o ouvinte é acometido por sustos constantes, os reflexos parecem não acompanhar a inconstância de estilos, percussão e expressividade vocal, como acontece em "Soldat", um pós punk com a potência de trompetes, sim, um pós punk num vocal quase juvenil.
"Bem vinda" já pede uma tranquilidade de pôr-do- sol com a brisa do mar, em baterias leves e um aconchego nos cabelos esvoaçantes. Talvez seja essa capacidade da cantora de construir belos quadros, ora graves, ora óbvios, que acabam por garantir a simpatia gratuita ao trabalho de Karina Buhr.
Em parceria com Guizado, trompetista que em 2010 também lançou seu primeiro albúm, "Eu menti pra você" se firma nos trompetes de Jazz e nas bases eletrônicas com um desenho desconcertante em treze faixas.
Sob a liderança de Karina Buhr, a banda Comadre Fulozinha tem como marca principal os ritmos populares do nordeste como maracatu, côco e samba, mas que estiveram longe de "Eu menti pra você", talvez seja por isso a mentira confessada, uma grande surpresa para o público. Formada somente por mulheres, a banda continua na estrada sem limitar as carreiras pessoais das integrantes.
A cantora conseguiu romper as próprias limitações estéticas se lançando num trabalho autoral, resultando neste presente à música popular brasileira. Estas canções mentirosas e envolventes num sotaque pernambucano tornam esta cantora ainda mais singular. Talvez estejamos diante da mentira mais bem contada de 2010.
Sob a liderança de Karina Buhr, a banda Comadre Fulozinha tem como marca principal os ritmos populares do nordeste como maracatu, côco e samba, mas que estiveram longe de "Eu menti pra você", talvez seja por isso a mentira confessada, uma grande surpresa para o público. Formada somente por mulheres, a banda continua na estrada sem limitar as carreiras pessoais das integrantes.
A cantora conseguiu romper as próprias limitações estéticas se lançando num trabalho autoral, resultando neste presente à música popular brasileira. Estas canções mentirosas e envolventes num sotaque pernambucano tornam esta cantora ainda mais singular. Talvez estejamos diante da mentira mais bem contada de 2010.

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